21 de maio de 2013

Arroz queimado também é amor

Durante a adolescência eu não sentia a mínima vontade de aprender a cozinhar. A única coisa que eu sabia fazer além de miojo era café. Tomo café desde que nasci os 13, 14 anos se não me engano, e foi o que quis aprender a fazer.
Cheguei à fase adulta sem muita intimidade com a cozinha, aprendendo a cozinhar porque não tinha outro jeito. Eu realmente não curtia panelas e fogão. Mais ainda, eu podia jurar que não levava jeito, cozinhava mal e pronto.
Fui aprendendo de tudo um pouco, mas vez ou outra (quase sempre) detonavam minhas receitas. Acabei deixando pra lá, tomando uma certa antipatia pela Dona Benta cozinha nossa de cada dia.
Quando eu e meu marido começamos a namorar fiquei encantada quando soube que ele adorava cozinhar, o dia em que ele cozinhou pra mim eu fui à loucura hahahahaha. E quando ele começou a falar em casamento tratei de avisar que eu era péssima cozinheira.
Casamos e no dia a dia fui fazendo um feijão aqui, uma macarronada ali, e ele sempre elogiando, dizendo que não sabia de onde eu tinha tirado a ideia de que não sabia cozinhar.
E meu ego foi inflando, comecei a me sentir uma Nigella Lawson, passei a procurar receitas, testar, inventar, e sempre colhendo elogios de quem experimentava. 
Até que engravidei e me tornei expert em arroz queimado. Sim, meu arroz nunca mais foi o mesmo. E é tudo culpa do amor.
Durante a gestação eu fiquei dispersa, desatenta, então simplesmente esquecia a panela de arroz no fogo. João Miguel nasceu e durante os primeiros meses eu cochilava enquanto cozinhava. Colocava a panela lá, sentava no sofá e dormia. Acordava com o cheiro de comida quando começa a queimar.
E de lá pra cá nunca mais comemos um arroz sem "fundo" queimado nessa casa. 
Hoje eu queimo o arroz porque paro para observar meu filho brincando, ou dormindo. Queimo o arroz porque esqueço de tudo brincando com ele. Queimo porque me perco no tempo sentada com ele no sofá. Queimo porque é bem mais divertido contar historinhas, ler livros, do que vigiar panela.
E basta ele gritar um "mãmã" que largo tudo e vou correndo.
Daqui a um tempo queimarei o arroz enquanto explico uma lição da escola, ajudo em uma pesquisa, bato um papo, escuto as novidades do dia.
Mais tarde (muito mais tarde, espero) queimarei o arroz porque estarei escutando seu desabafo sobre os primeiros problemas, as primeiras questões de "vida ou morte", as primeiras paixões.
E queimarei o arroz sempre que ele quiser colo.
Essa semana marido chegou para almoçar e disse: "você faz o melhor arroz queimado do mundo". Lógico que eu pensei ser deboche e já fui buscar a bazooca troquei o sorriso pelo semblante emburrado ( maduro não?), até que ele disse: "é sério, mesmo com o fundo queimado adoro esse arroz, e sempre queima por um bom motivo".
Então é isso: arroz queimado também é amor.


PS: Não conhece Nigella Lawson? Clica aqui.

16 de maio de 2013

Blogagem Musical: Música de Trilha Sonora


Opa!! A Dani propôs para essa semana que escolhêssemos música de trilha sonora. Amei!!
Eu sou tão fissurada em filmes e trilhas sonoras que tenho dvds e cds dos meus filmes favoritos, e tenho três livros que originaram os filmes: Em Algum Lugar do Passado, Julie & Julia e Comer Rezar e Amar.
Tem um filme que é minha paixão, quase uma doença. Assisto sempre que passa na televisão e tenho o dvd: Dirty Dancing. A trilha sonora desse filme é um espetáculo, mas tem uma música em especial que faz parte da trilha sonora da minha vida, é linda e traduz muito das fases pelas quais passei até chegar ao hoje. E essa música faz parte da grande cena final, com a coreografia mais arrepiante, copiada e desejada de todos os tempos.

                      (I've Had) The Time of My Life - Bill Medley & Jennifer Warnes

"Agora eu tive o melhor momento da minha vida
Não, eu nunca me senti assim antes
Sim, eu juro, é verdade
E devo tudo a você
Porque eu tive o melhor momento da minha vida
E devo tudo a você

Esperei por muito tempo
Agora finalmente encontrei alguém
Pra ficar ao meu lado
Vimos o que estava escrito no muro
Enquanto sentimos essa mágica
Fantasia"


E escolhi essa música, trilha sonora de uma propaganda que é sucesso aqui em casa. Foi a primeira propaganda que despertou a atenção do JM, ele adora, dança e bate palmas. Sem contar que é linda, fofa, delicinha.


"Esfrega, esfrega

Vai fazendo espuma
Esfrega, esfrega
Vai fazendo massagem"

Bora lá espiar o que as meninas escolheram?

14 de maio de 2013

Maternidade perfeita é a que se encaixa na sua realidade

Eu sempre gostei de blogues, muito antes de pensar em criar o meu eu já lia, acompanhava diversos blogues (o que me rendeu ótimas amizades). Blogues sobre todos os assuntos que me interessam: decoração, festas, maternidade, notícias, artesanato, assuntos diversos. Confesso que alguns eu lia porque curtia o modo como a blogueira escrevia, mas os assuntos em si não eram lá muito atrativos. Com o passar do tempo parei de segui-los.
Eu lia os blogues maternos por curiosidade mesmo, eu não era mãe, nem grávida estava, era pura curiosidade. E aos poucos fui percebendo duas coisas distintas na blogosfera materna: há uma certa panelinha, formada por mães que descobrem afinidades e se tornam amigas (Você ainda acredita que não existe amizade verdadeira no mundo virtual? Aff! Acorda vai!); e há as que travam uma disputa acirrada para ver quem é a mais top, a que tem o blogue mais famoso, a que mais bomba nas redes sociais, a mãe perfeita. E gera até babado, confusão, gritaria, alfinetadas para todos os lados, inimizades e estresse, muito estresse, principalmente pra quem lê os blogues.
Mas eu pensava: eu não sou mãe, não entendo nada sobre criar filhos, então deve ser implicância minha com esses assuntos.
E então engravidei. E já na gravidez descobri que não, não era mera implicância, a mulher não deixa de ser quem é porque se tornou mãe, sua personalidade não muda junto com os hormônios, e sabemos que tem gente de todo tipo, gente pra tudo. E eu escutei (na verdade li) críticas sobre ter engravidado aos 32 anos, "conselhos" para ter cuidado com aborto, deficiências, o que eu deveria comer, o que deveria vestir, o que deveria comprar (teve até quem me desse uma lista de lojas em Miami porque as "roupas nacionais não prestam"), uma loucura. Hoje eu me acabo de rir quando lembro, mas na época foi bem chato e desagradável.
Quando João Miguel nasceu eu deletei da lista mais da metade dos blogues maternos que eu lia, pois percebi que muitos não se adequavam a minha realidade, outros só podiam ser fictícios porque as mães citavam coisas mirabolantes que aconteciam no seu dia a dia, seus bebês eram fantásticos! E outros deletei porque tomei antipatia das blogueiras.
Percebi que qualquer assunto materno gera embate, concorrência, praticamente uma guerra, as pessoas se ofendem, se agridem apenas para defender seu ponto de vista. Há a famosa batalha PN x Cesárea, já vi meninas (que conheço) praticamente pedindo desculpas por ter feito cesárea porque estava sendo massacrada; tem a discussão sobre amamentação, alimentação, educação, desenvolvimento. Tem a mãe que se mete em qualquer assunto, pitacando, ensinando, geralmente sem ter sido consultada, ou mesmo convidada para a conversa. 
E dia desses me peguei pensando que deve haver algo errado comigo, algum defeito no meu chip materno, porque eu jamais entrei nesses tipos de discussão (e jamais entrarei), nunca me meti na conversa alheia, só respondo algo quando sou consultada, e nem por um segundo que seja, passa pela minha cabeça que eu devo satisfações de qualquer decisão que eu tome.
Para mim é impensável, improvável que eu explique porquê fiz cesárea, se amamentei ou não exclusivamente até meu filho completar 6 meses, qual a fralda que ele usa, o que ele come, o que ele bebe, como o educo. Não tem cabimento eu dar satisfações da minha vida.
Lógico que nesse mundo virtual eu fiz amizades maravilhosas, e vez ou outra falamos sobre filhos, mas sem cobranças, sem neuras, sem disputas. Ao menor sinal de que estou sendo interrogada, cobrada, sabatinada, encerro a conversa.
Para mim é tudo muito simples: o que funciona para mim pode não funcionar para você; o que dá certo na sua casa não necessariamente dará na minha; sua vida é uma e a minha é outra; crianças não possuem fabricação em série, nem manual, cada uma é única; responder quando consultado é uma coisa, se meter onde não foi chamado é outra.
Eu percebi que nem conhecia os blogues maternos mais famosos e fui espia-los. 
Gostei muito de alguns, mesmo. As mães são mulheres "normais" (o conceito de normal é muito amplo, eu mesma não sei se sou "normal"), que  não criam roteiros para o dia a dia, seus filhos também gripam e ficam com dor de barriga, elas cansam, choram, estressam, dão brócolis e batata frita. São blogues leves, reais, com pessoas de verdade, e elas até dão dicas, trocam experiências.
Outros não consegui nem terminar de olhar, muito xiitas, alguns fantasiosos, mães deslumbradas, e teve alguns em que reparei que a blogueira só responde aos comentários de outras blogueiras 'famosas', ou de amigas, ou comentários em que a própria pessoa se diminui enaltecendo a blogueira enquanto mãe.
E os comentários? Fiquei assustada com a quantidade de pessoas que se dão ao trabalho de ir até o blogue, ler o post e fazer um comentário grosseiro, mal educado, muitas vezes ofensivo, só pelo prazer de discordar. Eu hein!! É muita falta do que fazer.
Esse post saiu das minhas divagações a cerca do assunto, tenho visto de tudo nas redes sociais, estive conversando sobre isso com outras mães, percebi que não sou a única que considera tudo isso demais, um exagero, uma loucura.

11 de maio de 2013

E no dia das mães nem sei o que dizer.

É, não sei mesmo o que dizer pois todas as vezes que penso me emociono. E eu penso muito, o tempo todo.
Eu queria sentar aqui, em frente ao pc, e escrever tudo o que estou sentindo nesse meu segundo dia das mães como mãe (porque como filha já são... deixa pra lá). Na verdade é o terceiro dia das mães, mas passei pelo primeiro sem nem fazer ideia que estava grávida.
Enfim, pensei em tantas coisas, olhei tantas fotos, mas não consigo. Descobri que falar sobre minha relação com meu filho não é tão simples como pensei que seria, e que esse é um dos raros assuntos que me deixam "sem fala".
Porque meu filho me deixa sem palavras, sem explicações, sem 'porquês', sem fôlego. 
Ele também me deixa sem dormir direito, sem a velha tranquilidade já tão minha conhecida, sem poder relaxar ao efetuar simples tarefas do dia a dia. 
Mas eu nunca fui tão feliz ao tropeçar em um brinquedo, arrumar trocentas mil vezes a sala de casa, repetir as mesmas coisas infinitamente (geralmente é a palavra 'não'), manter as refeições pontualmente prontas, percorrer a casa toda com o prato atrás dele enquanto ele come, e checar neuroticamente  se ele está bem, se está brincando, se está com calor, frio, fome, sede, ou só quer um colo.
E cada vez que ele me vê abre um sorriso, e eu morro. E sempre que eu chego perto, ou ele se aproxima é para me dar um beijo, e eu morro.
E muitas vezes estamos na sala assistindo algum programa na televisão e o flagro sentado, simplesmente parado me observando, e então ele sorri, e eu morro.
E tem sido assim desde que ele chegou, eu morro todos os dias, várias vezes ao dia. Eu morro de amor.